domingo, 27 de setembro de 2009
Arquivos para confecção de gráficos
sábado, 26 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Pampulha perdeu quase 50% da água em 50 anos

Um dos cartões-postais mais conhecidos de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha, na região de mesmo nome, perdeu 1/3 de sua área ao longo dos 50 anos desde sua reinauguração, em 1958, depois do rompimento da represa em 54. Naquela data, o espelho d’água ocupava um espaço de 300 hectares e, atualmente, tem 196,8 hectares. O volume de água também diminuiu: eram 18 milhões de metros cúbicos na década de 1950 e, agora, 10 milhões.
“A alteração é muito significativa. E, mesmo assim, até hoje, as pessoas fazem pesquisas e estudos considerando o antigo formato do reservatório da Pampulha”, alerta o biólogo Rafael Resck, autor da dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O trabalho, intitulado Avaliação morfológica e estudo da variação horizontal e parâmetros limnológicos do reservatório da Pampulha, mostra que a consolidação do parque ecológico na foz dos córregos Ressaca e Sarandi e o assoreamento das enseadas dos córregos Braúnas e Água Funda (área próxima ao zoológico) alteraram de modo definitivo as características originais do reservatório.
De acordo com o biólogo, em 1999, o volume de água chegou a 8,5 milhões de metros cúbicos, um dos mais baixos. Mas, apesar disso e da redução da área ao longo dos anos e do comparativo com o volume de água de 1958, houve uma pequena melhora. “É interessante analisar essa capacidade de resposta da lagoa, que, apesar de ter sofrido com a redução de área e ter pedido volume, conseguiu se recuperar um pouco”, observa.
Segundo Resck, o último levantamento das características do reservatório foi feito em 1999 pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/UFMG), a pedido da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), órgão da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas, da Prefeitura de BH.
“Me interessei pelo assunto porque ninguém conhecia o atual formato físico da lagoa – o contorno, a área, o volume de água. Nem a prefeitura tinha dados atuais, e a lagoa passou por grandes obras de dragagem de terra na década de 2000”, explica. Depois de analisar 22.183 pontos do espelho d’água em 2007, fazendo um levantamento batimétrico (que analisa o desenho do fundo de um reservatório, por meio de visitas com barco e usando um aparelho que coleta coordenadas geográficas e de profundidade), Rafael Resck conseguiu traçar um perfil do reservatório.
Áreas diferentes
A represa da Pampulha tem duas regiões distintas: uma é rasa, com menos de 3m de profundidade, na região da Ilha dos Amores, onde há muitas algas, sedimentos trazidos pelo despejo de esgoto direto e dos córregos poluídos, Ressaca e Sarandi; e a outra é profunda, com até 8m de profundidade, no trecho entre a porção mediana da lagoa até a região da barragem. A profundidade média medida por Resck foi de 5,1m, enquanto a máxima observada chegou a 16,17m, em ponto próximo à barragem. Antigamente, considerava-se 14 metros como o limite de profundidade.
Outro aspecto avaliado no mestrado foi a qualidade da água. Onde há mais sedimentos, menor a qualidade; onde a distância da foz dos córregos é maior, a água é melhor. O biólogo acredita que o diagnóstico é importante para nortear projetos e políticas públicas de intervenção na Lagoa da Pampulha. “Faltam trabalhos mais freqüentes desse tipo para termos dados refinados da situação. Não há uma equipe que estude regularmente a bacia hidrográfica da Pampulha”, acrescenta.
domingo, 20 de setembro de 2009
Assoreamento avança na Lagoa da Pampulha

“Projetada há 73 anos, ela tinha o caráter de abastecimento, que perdeu, e, ao longo dos anos, a situação piorou. Houve forte processo de assoreamento e nosso receio é que a lagoa perca também as características de barragem, que é a capacidade de absorver e conter as águas dos temporais”, afirma o diretor de meio ambiente da Associação dos Amigos da Pampulha, o engenheiro ambiental Carlos Augusto Moreira. Segundo ele, é necessária uma política mais incisiva que reduza ao máximo a quantidade de detritos na lagoa.
Moreira observa também que o mau cheiro é outro agravante. “Infelizmente, isso se tornou muito comum e o risco de o espelho d’água perder a vocação turística também aumenta. Na reunião, vamos propor iniciativas para que esses problemas sejam sanados. Recentemente, em uma obra emergencial para corrigir o interceptor de esgoto, houve a necessidade de rebaixar o lençol da lagoa. Vi o quanto de terra há na barragem e o perigo disso tudo. O rebaixamento fez emergir a verdade de que a Lagoa da Pampulha está morrendo a cada dia, com o imenso volume de sedimentos”, salienta o engenheiro.
Dados da Smurb mostram que em 1936, época de fundação da barragem, havia cerca de 18 milhões de metros cúbicos de água. Na década de 1980, o nível chegou a 7 milhões de metros cúbicos. A secretaria explica que desde 2001 ocorre trabalho contínuo de recuperação da lagoa, o que inclui a retirada de 1,6 milhão de metros cúbicos de sedimento, substituição da comporta de fundo da barragem, construção de novo vertedouro, entre outras iniciativas.
Dentro do padrão
Os resultados, de acordo com a Smurb, são visíveis no volume atual de água, que alcança 9,9 milhões de metros cúbicos, ganho de 17,2%, comparado com o volume registrado pelo Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear em 1999. A Secretaria de Políticas Urbanas afirma ainda que a vazão das águas da lagoa está dentro dos padrões de segurança e que a rede de drenagem de toda a orla foi adequada e os alagamentos, minimizados. Para evitar o acúmulo de detritos, a prefeitura retirou, no ano passado, mais de 9 mil metros cúbicos de sedimentos.
Mas o esgoto é ainda um dos grandes desafios. Cerca de 60% dos córregos que deságuam na Pampulha estão localizados em Contagem, na Grande BH, e, para solucionar problemas de saneamento e evitar que o esgoto seja lançado nos rios, foi criado o Consórcio de Recuperação da Bacia da Pampulha, com representantes das prefeituras de BH e Contagem. “Nosso principal trabalho é o de educação ambiental nas duas cidades. São mais 40 córregos que abastecem a lagoa e grande parte deles já foram tratados. Mas ainda é preciso conscientização e apoio da população”, explica o presidente do consórcio, Leonídio Soares. A Copasa também desenvolve uma série projetos de implantação de tubulações, em Contagem e BH, para evitar que o esgoto deixe de cair nos cursos d’água e seja tratado na estação do Ribeirão do Onça.
Copasa promete despoluir Lagoa da Pampulha antes da Copa

“Antes mesmo da Copa, em 2012, vamos concluir as obras de saneamento que dependem exclusivamente de nós, instalando interceptores de esgoto em Contagem, na região metropolitana, e em Belo Horizonte. São investimentos de R$ 60 milhões”, afirma o superintendente de serviços e tratamento de efluentes da Copasa, Ronaldo Matias. As obras mais importante, iniciadas em junho, são os 35 quilômetros de rede sanitária, entre coletores, nos bairros Xangrilá, Tijuca, Bom Jesus e Vale das Amendoeiras, em Contagem, e interceptores no Córrego Água Funda, que deságua na Pampulha, e ao longo de parte da margem esquerda da lagoa.
A tubulação levará os dejetos a quatro estações elevatórias, que bombearão o material até a estação de tratamento de esgoto do Onça (ETE-Onça). Toda essa engenharia custará aos cofres da Copasa R$ 16,2 milhões e livrará o espelho d’água de 2,5 milhões de litros de esgoto por dia. A obra deve ser concluída em dois anos. Matias ressalta que o desafio são as vilas e favelas situadas próximas aos afluentes da represa, nas quais não há redes sanitárias. “Essas ações dependem de um trabalho coordenado entre Copasa e as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem”, pondera. Ele ressalta que análises da qualidade da água feitas na lagoa têm indicado aumento da quantidade de oxigênio.
Impactos
Mas a melhora desses índices não consegue resolver problemas antigos, pelo contrário. Segundo a pós-doutora em cianobactérias Alessandra Giani, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desde 1997 as águas da represa não são tomadas de forma tão avassaladora pelas algas. “Fiquei assustada. Vejo isso como um alerta. Se não diminuirmos os impactos no meio ambiente, o sistema não terá condições de se recuperar. A única coisa que temos a pensar é em um tratamento mais efetivo do esgoto e maior arborização, evitando que sedimentos caiam na lagoa”, afirma. O excesso de matéria orgânica nas águas, a pouco oxigenação e a escassez de consumidores levaram à reprodução excessiva desses organismos tóxicos.
A proliferação das algas reflete um ambiente desequilibrado e poluído, com grande oferta de matéria orgânica. “Quando aumentam muito os nutrientes, há uma explosão da população de algas. O risco é que as cianobactérias são tóxicas. Podem ser perigosas para animais e seres humanos, levando até à morte”, alerta. Alessandra afirma que estudos feitos na Pampulha, em 1993, já apontavam a má qualidade da água. Em 1998, houve certa melhora. Mas análises feitas no ano passado indicaram uma piora no espelho d’água, com aumento de nutrientes lançados pelos esgotos.
Segundo a pesquisadora, a proliferação de algas este ano deve ter como causa as altas temperaturas, combinadas com o tempo seco, que aumenta a concentração do esgoto. Esse trio favorece a proliferação dos micro-organismos. “Este ano está havendo muito calor para o mês de inverno. A retirada dessas algas é inviável. A única coisa que se pode fazer é diminuir a quantidade de nutrientes que as fazem crescer. Ou seja, acabar com o esgoto”, diz.
Limpeza
Segundo a Secretaria Municipal de Políticas Urbanas, a limpeza da Lagoa da Pampulha é feita diariamente. São usados dois barcos e uma balsa, num trabalho que envolve 30 pessoas. O volume de lixo recolhido diariamente é de 20 toneladas no período chuvoso e a metade na época da seca. O maior volume de resíduos sólidos se concentra perto dos córregos Ressaca e Sarandi. Anualmente, são retirados sedimentos que chegam à represa, para evitar assoreamento do espelho d’água. As principais obras em curso na região e que vão garantir melhoria do saneamento da bacia da Pampulha são a urbanização das vilas São José e Califórnia, nas regiões Noroeste e Nordeste da capital, respectivamente.